O Museu do Grand Palais prestou uma homenagem ao grande artista e um dos criadores do impressionismo com uma super exposição. Monet 2011 já nasceu com sucesso de público garantido. Ver as obras, agora, só pelo catálogo. A exposição acabou e deixou muita gente com desejo de que quero mais. Foram ver as obras de Monet 913 064 visitantes.
Os organizadores dessa gigantesca mostra de um dos mais badalados artistas do impressionismo do século XIX, queriam surpreender os visitantes e, pensavam mesmo em levar muita gente às lágrimas. Pode parecer pedantismo dos franceses. Mas eles conseguiram surpreender, chorar, não sei se o objetivo foi atingido, porém juro que foi difícil resistir às emoção . A mostra, começou no dia 22 de setembro, e que terminou no dia 24 de janeiro, reunindo 169 telas do artista francês e, certamente, representou uma árdua tarefa aos curadores pelo desafio de conseguir agregar obras espalhadas pelo mundo afora: além dos museus franceses, elas vieram da Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos (de onde saíram 27 telas) Inglaterra, Hungria, Holanda, Portugal, Rússia, Suécia e colecionadores particulares.
‘Monet’ emocionou e surpreendeu sim. Era visível ver nas obras mais populares e nas menos conhecidas, como o pintor lançava mão do amor pela pintura para jogar com as cores nas suas pinceladas firmes, e ricas de detalhes. Monet surpreendeu em sua época pela insistência em trabalhar a luz e a sombra de suas obras, de forma perfeita e harmônica, num jogo de luzes e cores surpreendentes. Está claro nas telas ‘Femme au Jardin’, de 1866, uma mulher num jardim com o seu vestido e sombrinha brancos, e a sombra na grama, em meio a um jardim maravilhoso de grandes e pequenas árvores iluminados pelo sol como deve ser. Esse quadro pertence ao museu Hermitage, de São Petesburgo.
Monet é incontestavelmente um pintor de paisagens, do mar, das florestas, do meio ambiente, que ousou ao pintar ‘em plein air’, ou, ao ar livre. Era o pintor das quatro estações, que Vivaldi teria tido o maior encanto de ter como parceria. As obras ‘O Porto do Havre, em plena noite de 1873, e ‘Gelo no Sena em Bougival’, ou a neve no rio, são expressões de ousadia absoluta do artista, de extrema delicadeza, rica em minúcias do ambiente, que nos transporta para o local pintado. As obras retratadas em duros invernos de frio, gelo e neve, leva Monet a dizer em carta a um amigo: “O tempo está difícil e experimento fazer qualquer coisa”. E que coisas ele fez!
Natureza morta
Visitar essa exposição foi como realizar uma viagem no tempo de Monet, estar nos lugares que ele amava, onde nasceu, viveu, passou a infância, sofreu a dor da perda de ente amado, onde ele e os amigos iniciavam uma nova era na arte da pintura com o impressionismo. Monet surpreende e a mostra nos apresenta telas de natureza morte. A composição ‘Flores e frutas’ de 1869, que pertence ao Museu Paul Getty de Los Angeles, e ‘Crisântemos vermelhos’, 1881, obra de colecionador particular, são duas preciosidades. Monet queria algo diferente nos seus jardins. Coloca flores dentro de casa. Monet, o pintor da natureza, se consagra com as obras de retratos, realizados de maneira sugestiva e decorativa. “Camille” ou simplesmente “A Mulher de vestido verde”, de 1866, leva Monet a dizer ao seu marchand que fizesse atenção especial ao verde do tecido da saia e à sensualidade da modelo. Nem precisava tanto dizer. Camille Monet, a sua primeira mulher morreu aos 32 anos, e o artista lhe rendeu uma última homenagem pintando a esposa em seu leito de morte em 1879. Uma obra de dor e amor.
Foram mais de 60 anos de vida artística, pintando incansavelmente em várias cidades da França e Inglaterra. Monet é a encarnação própria do impressionismo que constituiu no começo do século XIX os fundamentos da arte moderna. Essa exposição acontece 30 anos depois da última homenagem que os franceses lhe fizeram, com a diferença de que foi uma busca intensa para conseguir juntar todas as obras expostas por estarem espalhadas mundo a fora.
Monet pintou a Normandia, onde passava a sua infância, com destaque para as marinas e as telas com efeito da neve. Monet pintou Argenteuil, a ponte, o Sena, paisagens magníficas da cidade ao lado de Paris. Pintou os mares do Mediterrâneo; nos deixou uma série do Parlamento Inglês e do rio Tamisa e o fog londrino que são de iluminar os olhos. A sua série da Catedral de Rouen e dos Banhos da Grenouillère (local de laser náutico), conjuntos inesquecíveis, assim como “A Rua Montorgueil”,ou “Déjeuner sur l’herbe’. Em Giverny, onde Monet viveu boa parte de sua vida, ele tinha o seu próprio jardim que está em inúmeras telas. As suas Nymphéas o consagraram. Monet nasceu em 1840 e morreu em 1926 em Giverny.
Quem não viu a “Monet” na versão 2011 no Grand Palais de Paris, pode ter a oportunidade de ter um catálogo da exposição com 384 páginas e custa 50 euros. Ele pode ser adquirido a partir do Brasil e, além do preço, será cobrada a tarifa de envio e correios. Pedidos podem se feitos pelo site www.boutiquesdemusees.fr. Aliás, qualquer catálogo das exposições em curso na França pode ser solicitado. Informações: www.grandpalais.fr
Carminha Corrêa – de Paris
*artiggo publicado www.revistaclass.com.br